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O Ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Perpétuo Socorro”: não é um maravilhoso Nome para darmos a Jesus? 

Ele, que disse, “Vinde a mim os que andais cansados e abatidos, e eu vos aliviarei”… 

Ele, que disse, “Eu vos enviarei outro defensor, o Espírito da Verdade, que estará sempre convosco”…

Jesus, O Vivente, é o Perpétuo Socorro. 

É o Perpétuo Presente: “Eu estarei sempre convosco!” 

Este ícone é de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. 

Quer dizer: Nossa Senhora de Jesus!

A Mãe do Perpétuo Socorro.
Quer dizer, a Mãe de Jesus!

E, como aconteceu naquelas Bodas em Caná em que acabou o Vinho na Festa, 

a Mãe de Jesus aponta para Ele, o Perpétuo Socorro, e diz com a sua mão direita: 

“Fazei tudo o que Ele vos disser”.


(abaixo, um breve apontamento iconográfico sobre os vários símbolos)

O ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro está há muito associado aos Redentoristas. Foi entregue à Congregação pelo Papa Pio IX em 1865, juntamente com este pedido: “Fazei-a conhecida em todo o mundo”. 

De facto, nestes mais de 150 anos a imagem deste ícone tem-nos acompanhado por todos os lugares. É um ícone cujas origens se perdem no tempo. Não podemos saber, com certeza, qual a sua história até pouco antes de chegar às nossas mãos. Mas sabemos, isso sim, que é uma representação iconográfica da Mãe de Jesus que pertence à escola oriental e se configura num estilo de representação mariana misto entre dois estilos bizantinos clássicos:

- estilo “Odighitria” que, em português, significa “Aquela que aponta o Caminho
- estilo “Eleousa”, conhecido também como “Virgem da Ternura”.

No primeiro estilo iconográfico, a Mãe aponta com a mão direita o seu filho Jesus. E o menino, por sua vez, está sentado na mão esquerda da mãe enquanto levanta a mão direita em posição de bênção e segura um rolo na mão esquerda. Já no estilo iconográfico das “Virgens da Ternura”, o que é notório é a proximidade entre Mãe e Filho, sempre tocando-se, pele com pele. Normalmente, são representados com os rostos encostados. Mais do que o afecto materno-filial, este tipo de representação quer anunciar a Incarnação, a união radical entre Divindade e Humanidade que se estabelece na vida de Jesus Cristo.

No ícone da Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, nós temos os sinais “daquela que aponta o Caminho”, bem como a união, mão-na-mão, entre Mãe e Filho. Com efeito, essas mãos unidas são o centro geométrico do ícone, para onde o nosso olhar é atraído, porque é de Aliança que nos quer falar.

Os olhos da Senhora estão voltados para nós, fixos e ternos, como se ela estivesse a comunicar connosco, apontando-nos Jesus com a sua mão e segredando-nos o Evangelho de sempre: “Fazei tudo o que ele vos disser…” (Jo 2, 5)

Jesus volta-se para quem surge dos cantos do ícone: dois mensageiros, Miguel e Gabriel, trazem consigo as ferramentas da paixão, numa premonição dolorosa da rejeição à sua missão. Reconhecemos no menino quase um impulso de protecção, agarrando-se à mão da Mãe e mexendo um pé de tal forma contra o outro que desapertou a sandália. 

Está com medo o menino? Ou tira a sandália por outro motivo? Eis uma das grandes originalidades deste ícone: aquela sandália que cai para nos mostrar o calcanhar de Jesus. É um anúncio insinuado mas sublime: "esmagará a cabeça da serpente com o calcanhar", ficou prometido na primeira página bíblica. Este calcanhar do menino é a Vitória do Senhor sobre o mal, o "pé-em-riste" com o qual Jesus enfrentará a sua Paixão e derrotará o império da morte e do abismo. Eis para o que ele se prepara... e a Mãe, com aquela mágoa ao fundo do olhar, intui.