A Igreja

Texto de Fausto Sanches Martins cssr,
Professor de História da Arte da FLUP

Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

Todo o edifício, igreja e sacristia, se enquadra, com naturalidade, na malha urbana da cidade, limitado a norte pela Rua Firmeza e, no lado poente, pela Rua Alves da Veiga. Sem qualquer espaço circundante ou praça, abre directamente para as duas ruas, cumprindo positivamente a sua situação urbana, morfológica e ambiental.

É um dos exemplares de referência da “Arquitectura Moderna” por Porto, juntamente com as igrejas de Santo António das Antas, Nossa Senhora da Conceição e Nossa Senhora de Fátima, mais ou menos contemporâneas. O processo de construção da nova igreja iniciou-se com a proposta apresentada em 1951 pelo grupo “Fernando Tudela - Fernando Barbosa Arquitectos” e decorreu com grande celeridade, de tal forma que a inauguração aconteceu a 11 de Abril de 1953 e a sagração no ano seguinte.

A igreja apresentava uma planta de configuração longitudinal, com características simétricas, em que o ponto focal residia no eixo vertical que envolve o altar, o sacrário e o ícone da Padroeira da Igreja. Entretanto, com as alterações significativas, adaptadas às novas orientações litúrgicas emanadas do Concílio Vaticano II, o sacrário e o ícone foram reposicionados.

Em relação à concepção espacial, pode-se afirmar que comunga, de perto, com alguns ideais artísticos da catedral gótica. Esta identidade não se limita à forma dos arcos parabólicos, mas sobretudo à concepção do espaço, ao desmaterializar os muros e incrementar as entradas de luz. Estas entradas da luz coincidem sobretudo com um grande conjunto de doze vitrais que contam a história do ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, e outros quinze que representam os mistérios do Rosário, todos eles executados pela reconhecidíssima firma Maumejean, de Madrid.

O arco triunfal sobre o presbitério apresenta um fresco de Dórdio Gomes que evoca o mistério da Assunção da Virgem, dogma que, à data da construção da igreja, tinha sido recentemente proclamado por Pio XII.

No exterior foi executado um painel cerâmico policromado, em alto relevo, de Fernando Fernandes, representando a “Condução de S. Gerardo ao Paraíso”.

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